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Yaitza é uma menina linda. Mulata  de traços delicados e corpo perfeito, moldado por muitas e muitas horas de dança, ela oficialmente ganha a vida como professora de salsa. Tímida e de poucas palavras, Yaitza costuma dar aulas privadas junto com Carlos, bailarino profissional, gay assumido, simpático. A dupla – ela  na faixa dos 20 anos, ele já na casa dos 30 – vai à casa dos clientes e recebe por hora de rodopios, giros e passinhos ensinados. Também tiram um extra fazendo apresentações, participações em espetáculos e shows.

 

Parecem ser felizes e ganhar o suficiente para viver. Porém, Yaitza, como muitas garotas cubanas, não acha nenhum big deal sair com estrangeiros e cobrar por isso. Como na noite em que passou com Ian, um gordote inglês cinquentão, de aparência desmazelada, dono de uma casa de dominação sexual no sul da Inglaterra (seu cartão de visitas diz “técnico de informática” para  não levantar suspeitas das esposas de seus clientes). Um tipo “disgusting”.
Naquela noite, Yaitza ganhou 50 dólares. Naquela noite, eu não consegui dormir. Eu estava no quarto ao lado do quarto do Ian e vi quando Yaitza entrou. Me embrulhou o estômago.
Era a segunda vez que via Yaitza na vida e horas antes não imaginava que isso pudesse acontecer. Meu primeiro contato com ela foi durante uma aula em que Jorge, cubano que nos alugou o quarto de sua casa, praticava suas habilidades na salsa. Bonachão, simpático e muito empreendedor, Jorge estava ensaiando porque havia sido convidado para dar uma palestra sobre cultura cubana no Chipre. Como não era exímio dançarino de salsa, gênero indissociável do lazer cultural cubano, quis se aperfeiçoar e chamou a dupla.
Nós vimos uma de suas aulas e adoramos a o jeito desencanado e engraçado de Carlos e a simpatia de Yaitza. Tanto que nosso anfitrião nos ofereceu uma classe grátis com os dois.
– Que tal no próximo sábado? Podemos fazer um jantar cubano com dança.
Adoramos a ideia. Depois de quase dez dias em Cuba, me sentia feliz em ter um contato real com seus moradores, por ter rompido a “bolha” em que muitos turistas ficam quando visitam a ilha. A noite foi ótima. Lá pelas tantas, chegou Ian, hóspede frequente de Jorge. Toda vez que vai a Cuba, Ian se hospeda em um dos quartos de nosso anfitrião. Ao ver Yaitza, ele não sossegou enquanto não conseguiu levá-la pro quarto.
– Acabou que o inglês levou embora a minha bailarina…
Jorge disse isso num tom entre o melancólico e o conformado, tentando sorrir e parecer brincalhão, ao perceber o baixo astral que tomou conta de mim e do Gui.  Isso aconteceu depois de que Carlos já havia ido embora e só estávamos nós três na sala. O ar parecia pesado.
No dia seguinte, Yaitza, durante o café da manhã, nos perguntou com a maior frieza do mundo se poderíamos trocar 50 dólares. Os cubanos não podiam trocar dólares nas casas de câmbio. Isso foi uma maneira que Fidel encontrou de impedir a circulação ilegal na ilha, já que todo estrangeiro que desembarca deve trocar seus dólares ou euros por pesos conversíveis, uma moeda inventada só para os turistas gastarem. Ao receber pesos conversíveis, os cubanos podem trocá-los por pesos cubanos, verdadeira moeda do país, mas nunca poderão ser pegos com moeda estrangeira. Assim soubemos quanto custou a noite com Ian.
Yaitza é uma das pertencentes à Generación Y que dá título ao blog de Yoani Sánchez. O blog tem esse nome porque é muito comum que jovens de 20 e 30 anos tenham nomes começados por Y. Não tem nada a ver com o que chamamos de geração Y nos países capitalistas, ou seja, aquela geração super ligada em tecnologia.
Yaitza era tudo, menos uma jovem ligada em tecnologia. Não sei por onde anda e como está sua vida oito anos depois de que fui a Cuba. Mas não imagino que esteja muito diferente. Isso porque a ampulheta se quebrou na ilha há muito tempo e as mudanças se dão de modo muito lento. E aposto o que quiser que muitos dos que acham o modelo de Cuba a salvação do mundo, esses que dedicam seu tempo tentando calar uma das poucas vozes dissonantes do país, não aguentariam passar uma semana lá sem seus smartphones.
Sempre fui de esquerda e acho que sempre serei, já que é o “lado” que costuma ter as ideias e iniciativas mais progressistas do ponto de vista social. Estou muito longe de ser especialista em Cuba ou comunismo. E talvez esteja influenciada por uma dura visita que acabo de fazer ao Camboja, onde o comunismo maoísta ceifou a vida de 1/4 da população do país em quatro anos, com regimes forçados de trabalho, tortura e muitas barbaridades (obviamente não tenho o direito de comparar Fidel com Pol Pot, é só um exemplo de como o comunismo pode errar a mão feio). Mas se tem algo que posso afirmar é que não dá para tratar o tema “Cuba” com radicalismos e, principalmente, com ideias pre-concebidas.
Como em toda ideologia, sempre existe uma minoria se beneficiando de uma maioria e em Cuba não é diferente. Quem duvide que vá dar uma volta do bairro habanero de Miramar, onde luxuosas residências e carros novos importados contrastam com os “charmosos” carros dos anos 50 e os prédios detonados de Habana Vieja.
É inegável que Cuba conseguiu muitos avanços que países capitalistas não obtiveram. Talvez Cuba fosse a nação mais influente do mundo se todo o mundo fosse comunista. Porém, no contexto atual, muito imperfeito, já sabemos, o que se produz lá é um choque cultural constante, já que um jantar pode custar para um turista o equivalente ao salário de um médico (cerca de 24 dólares por mês). Com seu consumo controlado, os cubanos veem diariamente a gastação dos viajantes e desejam ter mais do que uma quantidade limitada de comida e objetos. Desejam ir e vir sem limitações. Desejam dizer o que pensam e criticar seus políticos livremente.
Se é um país sem miséria? Não mais. Para mim, foi triste ver vitrines vazias de lojas exibindo nada mais do três sabonetes. Foi incômodo encontrar colegiais (de uniforme) de menos de 15 anos se prostituindo dentro do principal museu. Foi deprê ver a fila de pessoas esperando por sua ração de comida com a libreta na mão (coisa que felizmente já mudou). E foi devastador ver Yaitza entrando no quarto com Ian.

Correntes marítimas: beleza artística

Vi um Van Gogh na semana passada. Não foi em uma exposição em cartaz na cidade. Não foi no Google Images. Não foi num livro de arte. Foi durante um simpósio científico sobre a relação entre os oceanos e os continentes. O palestrante não mostrou uma reprodução de um quadro do holandês e sim um mapa animado com as correntes marítimas do mundo. Já tinha visto essa imagem antes, mas nunca me dei conta que aqueles redemoinhos de água, nuvens e vapor eram parecidos com pinceladas impressionistas e a delicadeza de ‘Starry night’. Por uns segundos, parei de ouvir o palestrante sueco e me perguntei se ele já teria pensado nessa comparação.

Astrofotografia. Até onde vai a objetividade?

Arte e ciência andam de mãos dadas desde sempre. Ouço sempre os cientistas dizerem que seu trabalho tem muito em comum com os dos artistas porque requer criatividade o tempo inteiro. Criatividade para pensar em problemas, em hipóteses, em soluções, em métodos. Mas criatividade também para lidar com recursos escassos, pouco incentivo, pouco dinheiro. E muita dedicação, muito foco, muita vontade de realizar algo. Um status parecidíssimo à situação da Cultura, pelo menos aqui no Brasil.

Recentemente me vi pensando nessa relação ao ler esta matéria. Não é à toa que cientistas usam a expressão “estado da arte/state of the art” a torto e a direito para qualificar a excelência, o altíssimo nível de uma pesquisa. OK, não só eles usam essa expressão, mas poderia dizer que a usam com muita frequência. Mais que os próprios artistas.

Mas a arte pode se casar com a ciência além do plano das ideias. Há alguns meses, fiz uma matéria sobre nanoarte, com fotos de nanoestruturas. Delicadas, as fotos de peças impossíveis de serem vistas a olho nu lembravam microorganismos. As imagens fizeram parte de uma exposição em Israel. Com os filtros e coloração, eram obras de arte, quem vai dizer que não? A escolha de cores por si só já é subjetiva, já denota critério artístico. O mesmo serve para a astrofotografia. Impossível não se admirar com as cores impressas que variam de acordo gases retratados (no espaço, eles não têm cores). E o que dizer das centenas de museus científicos ao redor do mundo? Ciência exposta num patamar de arte. O Museu Tecnológico de Munique é um dos mais interessantes que visitei na vida. Nele, pessoas paravam para observar desde perfuradoras de petróleo a microchips.

Nanoestrutura que lembra bola de tênis. ‘Tenis bol’ é o título dessa foto que foi a exposição.

Outra curiosidade é que cientistas podem ter egos tão grandes ou maiores que os dos artistas. Frio na barriga constante para mim, já que nunca acho que estudei o suficiente para uma entrevista com pesquisadores. Por sorte, dei de cara com poucos cientistas que se achavam deuses (e não o são de certa forma?). Já com os artistas… O pior é que nem todo artista (essa palavra já até se banalizou) tem estofo, mas dificilmente você encontra um cientista mestrado ou doutorado que não saiba muito bem do que está falando.

No fim de agosto, completei um ano no Jornal da Ciência. Um ano cobrindo ciência (e, por tabela, meio ambiente, saúde e educação). Lembro que, numa das minhas primeiras matérias, digitei ‘cineasta’ no lugar de ‘cientista’. Reflexo de anos e anos como jornalista de cultura. No fim das contas, eles não são tão diferentes assim.

Maria

Poetisa amadora, era uma das pessoas mais bem informadas que eu conheci. Discutia política. Sabia tudo sobre medicina e saúde – sem nunca ter estudado nada disso. Bebia cerveja. E chopp. Não usava calça comprida, só saia e vestido. Quando queria gritar “merda!”, dizia “pomba!”. Ao contrário das outras avós, não insistia para comer mais um pouquinho. “Fique magra”, me aconselhava.

Difícil era resistir a seu pastel com massa caseira (que eu revivo, sem tanto gosto, no restaurante ‘Antigamente’). Ou a seu sorvete de chocolate, que por não ter gordura, demorava um tempão para derreter (quantas colheres amassadas…). Nasceu Maria da Conceição Franchini, sobrenome italiano substituído 30 anos depois pelo Vasconcellos português de seu marido.

Morreu sem ir à Itália de seus antepassados. “Visite a cidade do seu bisavô Vicenzo”, me pediu um dia. Eu vou, vó, prometo que vou.

E com ele, espero, acabam meus posts mais tristes. O ano acabou hoje e não vai deixar saudades. Um ano que demorou a começar, que ainda não começou direito, porque quando estava prestes a decolar, alguma coisa me surpreendia.

A verdade é que não ocorreu nada muito grave – sempre pode ser pior, mas também sempre pode ser melhor. Até hoje, quando recebi a notícia mais triste dos últimos tempos.

Passe logo, 2011. Não quero pensar mais em nada. Não quero me preocupar mais em arrumar um bom emprego, nem procurar casa, nem ser sacaneada por corretores, possíveis chefes ou por gente que quer me ver pelas costas. Não quero mais me mudar, carregar minhas coisas para lá e para cá (cinco mudanças em quatro anos), me desfazer de várias, desconstruir, construir, destruir. Não quero mais brigar, me estressar, me revoltar, me arrepender. Não quero mais não me adaptar.

Tá tudo resolvido. Minha família, tirando a tristeza da notícia de hoje, está bem. Meu marido está ótimo. Estamos bem, muito bem mesmo, tenho muito mais a agradecer que para reclamar, muitíssimo mais.

Mas, 2011, não adianta. Você levou a minha avó. E o avô do Gui. E os avós de muita gente. Um ano que começou com muita tragédia no Rio, no Japão e em outros lugares. Um ano duro para muita gente. Mas, no momento, só penso que hoje, às 16h40, quando estava entrevistando um pesquisador de química, o coração da vó Maria parou.

Cuide bem dela. E tchau.

 

Fazia tempo que eu não acendia uma velinha para Balzac. Talvez porque o volume de trabalho (em grande parte free-lance) não tenha permitido que eu sentisse falta da minha criatividade. Não dava tempo. Foram muitos altos e baixos, muita expectativa e alguma frustração nestes últimos meses. Novos trabalhos, novos e-mails, novos telefones, novos “este é o seu lugar”, lá vai a carteira de trabalho, assina, volta, termina o contrato (atualmente ela está passeando por São Paulo, terra do meu atual empregador). Finalmente, um fixo. Há pouco mais de um mês, tenho CLT, benefícios, tudo bem, e ainda por cima, trabalho na Urca, delícia. Gui indo pelo mesmo (bom) caminho.

Quando tudo parecia estar se encaminhando, algumas notícias e acontecimentos me fizeram cair outra vez. De maneira arrebatadora. Tristeza todos os dias, muita saudade da minha outra vida, a vida em Madri, muita irritação com qualquer coisa ruim que acontece no Rio ou neste país. E a onda pessimista veio ainda pior do que da primeira vez. Mas não me disseram que isso passa em um ano? Que a adaptação demora uns meses? Já faz quase um ano e estou pior, como pode? Me rendi. Fui procurar ajuda. Oficialmente.

Nunca achei que meus problemas valessem uma terapia. Sempre consegui resolvê-los sozinha. Mas desta vez foi diferente. Convencida por uma amiga que passou por questionamentos semelhantes, lá fui eu. Super nervosa, achando que ia ficar meia hora esperando numa salinha com potenciais loucos, peguei um ônibus até Copacabana. Dentro dele, reconheci o sotaque de um grupo de meia-idade que falava alto com o mapa do Rio na mão. Eram espanhóis. Meu coração dispara quando escuto o idioma e reconheço o sotaque. Por um momento, me transfiro para lá. Estava decidida a passar a primeira sessão de terapia da minha vida falando o tempo inteiro do que sinto em relação a isso e aquele encontro com o grupo me deu mais certeza de que seria uma consulta monotemática.

Chegando ao consultório, não havia nenhum paciente esperando. Um estava saindo e parecia deprimido. Estou em uma clínica psicológica, pensei, com certo desconforto, é normal que haja gente deprimida. A porta da sala da minha futura terapeuta se abre e sai uma menina com o rosto inchado. Não quero chorar, não quero pagar para ficar chorando na frente de uma estranha. Tento encarar como uma consulta de dermatologista e me concentro no meu livro, até que a terapeuta me chama.

Foi ótimo. Uma bate-papo mesmo. Natália, a terapeuta, é jovem, simpática, divertida. Foi leve. Não chorei. Ou melhor, quase, mas nem de longe saí como a menina que me antecedeu. Falei mais do que ouvi, o que deve ser normal numa primeira consulta. Ela me disse coisas que eu já sabia, mas alguma delas ficaram na cabeça.

Ao sair da consulta, decidi ir embora de metrô. Na bilheteria, conheci uma equatoriana e dois colombianos que estavam perdidos, tentando ir pro Rock in Rio. Me ofereci para ajudar, expliquei que depois do metrô eles teriam que pegar dois ônibus e eles adoraram. Mal sabiam que eu estava louca para falar um pouco de espanhol desde que vi o grupo de meia-idade horas antes. E fomos conversando. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a equatoriana havia morado em Madri na mesma época que eu. Flipé, como diria na Espanha. Acabo de voltar de uma consulta terapêutica, onde fui e pretendo ir outras vezes para falar da minha experiência lá, na ida vejo espanhóis e na volta conheço uma mulher com vivência similar? Que raio de coincidência é essa?

Amparo (esse era o nome da equatoriana) ganhava como faxineira mais do que eu como jornalista. Mas, ao contrário de mim, não tem tantas recordações boas. Foi para lá para trabalhar duro, ficou dois anos, não se adaptou. Foi com os filhos, cuja idade não sei, mas sei que já trabalham, ou seja, ela foi num esquema totalmente diferente do meu. Fiquei pensando em que sentido tinha tudo aquilo, por que estava eu num engarrafamento no Leblon, rumo à Barra, ouvindo aquelas histórias, comparando mentalmente com as minhas, tomando cuidado para não dizer nada errado, não dizer que tudo para mim foi diferente, foi maravilhoso, que, ao contrário dela, acho que a Espanha é sim um bom lugar para criar os filhos, para viver, para ser feliz. Mas não disse nada para a Amparo.

Vai ficar para a próxima sessão com a Natália.

Déjà vu

É aquela velha história: você está solteira, sai com um cara, fica a fim dele e ele não garante que vai querer ser seu namorado. Enquanto isso, vários outros começam a ligar e você só querendo o cara que não dá certeza. Conhece essa ladainha? Pois é, com emprego é igual…

Sou carioca e, como diz a canção, não gosto de sinais fechados – por várias razões. Mas, ao contrário da letra, adoro dias nublados, adoro ir à praia em dias nublados.

Muita gente acha estranho, mas também acham quando digo que não baixo filmes da internet, que sou a favor da Lei Seca ou que acho que ter carteira de estudante depois dos trinta é incoerente com exigir que qualquer coisa funcione bem na cidade (no país). Podem me chamar de chata, de otária, do que for, eu não quero mudar os hábitos de ninguém. Como diria minha sogra, não quero ter razão, só quero ser feliz.

Pensando nisso  – também-, ultimamente só vou a praia em dias nublados ou parcialmente nublados (ou parcialmente ensolarados, dependendo do seu otimismo). O mormaço me faz bem, me bronzeia, não arde. A praia nunca está cheia em dias nublados, me faz senti-la mais minha e mais bela por sua luz difusa, sobretudo a luz espetacular do outono aqui.

Não há muitos vendedores, só turistas chateados por terem dado com o tempo ruim. Ou cariocas tão cariocas que vão a praia para prestigiá-la, pois prestigiá-la é mais importante que qualquer bronzeado. No público das praias nubladas também figuram aqueles branquelos que respiram aliviados quando passa uma nuvem, de preferência uma nuvem bem consistente. Nesse grupo me incluo.

Desde pequena insistia em ficar no sol, já que as crianças nunca querem brincar debaixo das barracas. Muita ardência, peles descascadas e sardas depois, me dei conta de que eu não precisava me sacrificar para me enturmar. Agora, pegar muito sol é out, perigoso, envelhece, rende bronca do dermato, vivam as japonesas!, essas meninas de pele alva, sim, elas sabiam de tudo antes de todo mundo. Ainda não faço a loucura de fazer turismo com uma sombrinha, como elas, mas não abro mão do chapéu nem do filtro. Claro que, assim como os turistas desapontados com a inconstância climática do Rio, também não gosto de visitar balneários em dias nublados. Mas, na minha cidade, é uma delícia. Porque, como quase tudo na vida, a beleza mora nas nuances, nas zonas cinza e não nos extremos, não no óbvio, não no preto ou branco, não no oito e oitenta. Nem sol, nem chuva. Parcialmente.